Somos alunos de
Odontologia da Universidade Federal de Sergipe – Campus Lagarto, estamos
cursando o segundo bloco (equivalente ao 3° e 4° períodos). A metodologia
adotada pelo campus é ativa (Aprendizagem Baseada em Problemas). O curso vem
enfrentando problemas muito sérios, principalmente quanto a estrutura,
problemas estes que já foram motivo para paralisações estudantis anteriores e
que ainda não foram resolvidos.
1. As salas onde
são realizadas as sessões de tutorial que deveriam conter no máximo 10 pessoas,
incluindo o tutor/professor: Neste campus, estamos realizando sessões tutorial
superlotadas, com até 19 pessoas, o que impossibilita uma discussão significativa
dos conteúdos e com isso sua fixação.
2. Os Laboratórios devem ser bem equipados: O ABP requer que a teoria seja indissociável da prática com laboratórios bem equipados para permitir que haja um aprendizado adequado. No campus e no curso de Odontologia não temos, como por exemplo o laboratório de anatomia com todas as peças anatômicas que nos permita estudar anatomia de cabeça e pescoço e anatomia dental. Além disso, não contamos com laboratórios de microbiologia, fisiologia e radiologia. Em nossa instituição temos um laboratório de microscopia, mas este é pequeno e destinando principalmente para o Núcleo de Educação em Saúde (1° bloco – comum a todos os cursos presentes no campus). O laboratório pré-clínico PROVISÓRIO nos permite ter aulas práticas pré-clínicas apenas de Dentística, pois a parte de radiologia não está pronta para viabilizar as aulas. Lembrando que, esta estrutura ainda funciona de forma precária, pois a rede elétrica da cidade em que o campus localiza-se (Lagarto/SE) não suporta vários dos equipamentos odontológicos, como por exemplo, o compressor, que é indispensável e para em praticamente todas as aulas práticas.
3. Clínica de procedimentos pré-clínicos I: No curso de Odontologia as práticas pré-clínicas possuem importância ímpar para preparar o aluno para as atividades clínicas nos pacientes. A clínica de procedimentos pré-clínicos que temos no curso ainda é a provisória e a mesma, após aproximadamente 3 anos continua inacabada, impossibilitando nosso treinamento em procedimentos de dentística, endodontia, periodontia, anestesiologia, cirurgia, radiologia entre outras.
4. Clínica de procedimentos pré-clínicos II: Esta clínica ainda não começou a ser construída e sua viabilização ainda está passando pelos trâmites do setor público e esta é igualmente necessária para realização de procedimentos.
5. Número de professores: Como já foi dito anteriormente, as sessões tutoriais são realizadas com um número máximo de alunos, e para cada uma delas é necessário um tutor para direcionar a discussão e aprendizado do conteúdo. O departamento de Odontologia conta atualmente com 16 docentes, sendo que, este número é inferior ao ideal. Neste ano são duas turmas de Odontologia, sendo que todos os professores já cumprem suas referidas cargas horárias nas mesmas. Quando iniciar o período referente a 2015.1 mais uma turma de Odontologia ingressará, com isso, o número de professores não será suficiente para suprir demanda de 3 turmas (sessão tutorial, palestras, laboratórios, práticas pré-clínicas e clínicas).
6. Contato com a comunidade: O campus adota ainda outro tipo de metodologia ativa – metodologia da problematização, onde os discentes observam problemas reais da comunidade e a partir daí traçam estratégias de ação para modificar a realidade em benefício da própria. No segundo bloco temos o módulo Práticas em Serviços da Comunidade que segue esta metodologia. Nas nossas práticas vamos às escolas municipais de Lagarto para identificar problemas de natureza bucal, e a partir destes aplicamos procedimentos cabíveis de acordo com nossa aprendizagem. Deparamo-nos, porém, com problemas estruturais e administrativos nas escolas em que estávamos atuando e devido a estes problemas fomos forçados a interromper nossa atuação, prejudicando não só nosso aprendizado como a comunidade que estávamos assistindo.
Levando em
consideração tudo que foi exposto, julgamos inviável a continuação da nossa
graduação, pois acreditamos que nestas condições não é possível termos um
ensino de qualidade, o que refletirá mais tarde em nossa atuação profissional.
Diante disto, decretamos greve estudantil em 23 de março de 2015 por tempo
indeterminado, até que nos seja assegurado condições ideais para darmos
continuidade à nossa graduação.
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