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Para a
primeira grande decisão da presidente reeleita Dilma Rousseff já não
faltam nomes. Cabeça de chave do novo ministério, já há na praça uma
dezena de nomes viáveis – e que, de fato, estão em cogitação pela
presidente – para substituir o atual titular Guido Mantega. Para cada
grupo à sua disposição, Dilma mandará um recado para a sociedade
brasileira e o mercado global. O lado bom é que a presidente, com as
declarações claras na noite de ontem, em entrevistas às redes Record e
Globo, ganhou tempo para pensar. Mesmo sob pressão do chamado mercado,
que ontem derrubou a bolsa em 2,77%, Dilma ganhou o tempo que precisa.
Ela foi muito bem compreendida ao afirmar que, "no tempo exato",
anunciará todo o novo ministério em bloco. Isso deve ocorrer até o
início de dezembro, mais provavelmente em novembro, segundo a própria
Dilma.
Até lá, gravitam nas cogitações da presidente e seu núcleo duro uma série de nomes que, cada um por si, sinalizam mensagens diferentes ao País e, pela importância do Brasil no cenário global, ao mundo. É assim que uma dupla a ser formada pelo presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e o atual economista-chefe do banco BTG Pactual, Eduardo Loyo, seria uma sinalização de paz com o mercado financeiro. Reconhecido como tecnicamente competente e extremamente cordial, Trabuco é o nome que o ex-presidente Lula ofereceu para Dilma considerar. Já em meados do ano passado, o titular do Bradesco já havia sido mencionado à presidente, mas, como se sabe, ela preferiu manter Mantega. Loyo tem a bagagem de ter sido diretor do Banco Central e diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional. Um currículo e tanto. Ambos seriam uma cartada forte na direção de transmitir a credibilidade necessária pelo novo governo para a atração de investimentos. Caso a cabeça da presidente decida mandar um sinal para o setor empresarial, o nome do presidente da Coteminas e ex-candidato a senador por Minas Gerais, Josué Gomes da Silva, também está à disposição de Dilma. Nesse caso, a manutenção do atual presidente do BC, Alexandre Tombini, com algumas mudanças em diretorias estratégicas, representaria uma tentativa de compor uma equipe mais ao feito do setor produtivo, mas que não deixaria de contemplar o pedido do setor financeiro de atualizar o time econômico federal. O nome de Josué poderia vir acompanhado, no Desenvolvimento, do de um empresário reconhecido como Abílio Diniz. Ele sinalizou à Dilma, em artigo publicado nesta terça-feira 28, que quer colaborar. Na decisão que poderia ser considerada a mais radical, no sentido de ultrapassar a turbulência financeira para uma nova aposta em políticas anticíclicas, Dilma pode recair sua escolha sobre o ministro Aloízio Mercadante, integrante do núcleo duro de sua administração. Haveria espaço, nesse caso, para o ex-secretário-executivo da Fazenda Nelson Barbosa ser contemplado com um cargo de peso na estrutura da Pasta. As chances de continuidade de Tombini no BC, nessa vertente, subiriam. A troca de Mantega por um desses nomes, ou outros que ainda não surgiram no noticiário, é mesmo a primeira decisão importante da presidente reeleita – e já será, pelos próximos quatro anos, uma das mais importantes e definidoras do sucesso da segunda administração. Mercadante sinaliza: “Fazenda ficará com o setor privado” Apontado com um dos mais cotados para assumir o ministério da Fazenda no próxima mandato da presidente Dilma Rousseff, do PT, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, descartou em entrevista que essa hipótese seja viável e sinalizou que o cargo deve ficar com alguém ligado ao setor privado e não necessariamente com um membro do partido. O ministro, que foi um dos principais coordenadores da campanha petista à Presidência, indicou que deve permanecer na Casa Civil ou que assumirá o comando do ministério do Planejamento no próximo mandato. "O nome para a Fazenda deve vir do setor financeiro mesmo. Se não permanecer onde estou, devo ir para Planejamento", afirmou. Entre os nomes mais cotados para assumir a Fazenda, estão o atual presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabucco, e Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central. Indicação dos sonhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Meirelles estaria resistindo às sondagens. Além disso, Eduardo Loyo, economista-chefe do BTG Pactual e Nelson Barbosa, ex- secretário-executivo da Fazenda também seriam nomes que estariam na mira da governante para assumir a pasta. "O objetivo de indicar alguém do setor financeiro seria apaziguar as relações estremecidas entre Dilma e o mercado", afirmou Mercadante, acrescentando que será um dos principais conselheiros de Dilma para definir quem assumirá o ministério. Além disso, o ministro destacou que o governador da Bahia Jaques Wagner e Miguel Rossetto, ministro do Desenvolvimento Agrário, terão mais protagonismo a partir de 2015 deverão ter papel de destaque no primeiro escalão da presidente. Mercadante admitiu que pode deixar a Casa Civil e passar ao ministério do Planejamento. Para seu lugar, Wagner é o mais cotado, mas o governador baiano teria preferência pela pasta do Desenvolvimento Econômico. O terceiro mosqueteiro do trio, Rossetto deve ser acomodado na Secretaria-Geral da Presidência, concluiu. Dilma sinaliza que vai extinguir 'feudos' no Ministério A presidente Dilma Rousseff quer acabar com os feudos dos partidos na Esplanada dos Ministérios, ao anunciar sua equipe do segundo mandato, e fortalecer a articulação política do Palácio do Planalto. Decidida a não deixar que as legendas transformem as vagas do primeiro escalão em "capitanias hereditárias", que passam de um governo para outro, Dilma pretende fazer uma ampla troca de cadeiras na qual nem todos ficarão onde estão. O PT, hoje com 17 dos 39 ministérios, poderá ter seu espaço reduzido. Apoiada por uma coligação de nove partidos, a presidente sabe que enfrentará resistências na base aliada, mas avalia que tudo será resolvido com negociação caso a caso. Eleita com uma margem apertada de votos na disputa contra Aécio Neves (PSDB), Dilma tem uma "fatura" política a pagar e fará de tudo para evitar rebeliões e problemas com o Congresso. "Não é o momento nem a hora de discutir nomes do próximo governo. No tempo exato darei o nome e o perfil", afirmou a presidente nesta segunda-feira, 27, em entrevista ao Jornal da Record. "Não vou discutir um ministro, mas um ministério." Auxiliares de Dilma, porém, dão como certo o "rodízio" dos partidos no comando de pastas, com prováveis "compensações" em diretorias de estatais. Ministérios como o dos Transportes, há anos com o PR; Cidades, nas mãos do PP, Previdência e Minas e Energia, dirigidos pelo PMDB, podem entrar nesse remanejamento. O PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab deverá ganhar mais uma vaga na equipe, mantendo a Secretaria da Micro e Pequena Empresa com Guilherme Afif Domingos. Apesar de filiado ao PSD, Afif entrou no governo, no ano passado, na cota de Dilma. Na bolsa de apostas, o nome de Kassab é citado para ocupar o Ministério das Cidades, mas ele desconversa. "O PSD será governo, sim, mas não impôs qualquer condição ao declarar apoio à presidente e a escolha de ministros é uma decisão da presidente", disse Kassab, derrotado na disputa pelo Senado. Núcleo duro Na tentativa de driblar revoltas de aliados, que barrem votações importantes para o governo no Congresso, Dilma também quer reabilitar o chamado "núcleo duro" do Planalto para discutir semanalmente as estratégias do governo, principalmente no campo político. O grupo foi criado no primeiro mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, e Dilma chegou a participar dele como ministra da Casa Civil. Aos poucos, porém, esse núcleo foi diluído. O desejo da presidente é resgatar o modelo de uma Casa Civil mais política, como no tempo do então ministro Antonio Palocci - que caiu em 2011, no rastro do escândalo da multiplicação do patrimônio -, acompanhado de um núcleo que a assessore no dia a dia da relação com o Congresso. O grupo, porém, seria agora composto por ministros mais próximos dela, os chamados "dilmistas". Embora o nome do chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, seja mencionado nos bastidores como forte candidato ao Ministério da Fazenda, é provável que ele permaneça no comando da Casa Civil como "capitão" do time. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, pode ser deslocado para a Secretaria-Geral da Presidência, hoje ocupada por Gilberto Carvalho. Isolado no governo e homem da confiança de Lula, Carvalho assegurou que não ficará no segundo mandato de Dilma. Em conversas reservadas, ele tem dito que gostaria de ir para a Funai. O governador da Bahia, Jaques Wagner, será levado para o governo e ajudará Dilma na articulação política, mas ela ainda estuda qual a melhor pasta para acomodar o petista. "Se a presidente me chamar eu vou, mas só digo que economia não é a minha praia", disse ele, negando especulações de que possa ir para a Fazenda. A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) deve ir para o Ministério da Agricultura e Dilma pretende convidar, novamente, Josué Gomes da Silva, da Coteminas, para o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Fonte: Brasil 247/Agencia Estado |
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terça-feira, 28 de outubro de 2014
Dilma já começa a tramar os “novos rumos para a economia”
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